Pensamento Lateral: O processo criativo como meio para a inovação

A metodologia usada em empresas como a Uber, Netflix, Nintendo e Apple para criar produtos e serviços inovadores

Publicado por em October 26, 2023

Foi durante a década de 1960 que o psicólogo maltês Edward De Bono desenvolveu a metodologia de pensamento criativo a que chamou de Pensamento Lateral (Lateral Thinking).

Esta metodologia distinguiu-se das restantes correntes de pensamento por seguir abordagens menos convencionais à resolução de problemas, abrindo portas à apresentação de novas soluções e à consequente criação de novos produtos e serviços.

Desde a Primeira Revolução Industrial até meados do século XX, a estratégia de crescimento das empresas deveu-se em grande parte à sua eficiência operacional, capacidade de produção em massa e otimização dos seus processos.

Este era (e é) um modelo muito eficaz para fazer mais, melhor e mais barato, afunilando os processos de forma a reduzir o erro, o desperdício e as ineficiências.

Nas palavras de Reed Hastings, fundador e CEO da Netflix:

"A way to think about it is, innovation requires variation. And in manufacturing—six sigma, all that stuff—you're trying to reduce variation.
The fundamental manufacturing paradigm is to reduce variation, and the fundamental creative, innovation paradigm is to increase it."
-- Reed Hastings, Netflix CEO

Para abrir espaço para a inovação, não podemos seguir um pensamento linear, convergente, analítico. É necessário questionar suposições, pressupostos e convenções e criar um lugar para poder pensar “fora da caixa”.

Ou seja, a bem sucedida linha de raciocínio seguida para otimizar para o modelo de eficiência industrial não era a ideal para criar o espaço necessário para a inovação. Uma nova forma de pensamento era necessária.

E foi neste enquadramento que De Bono trabalhou no desenvolvimento do seu método,

Um método que empresas como a Apple, Nintendo, Netflix, Uber, entre outras muitas referências internacionais, são conhecidas por usar de alguma forma estas estratégias nos seus think tanks de inovação.

Algumas das principais ideias e conceitos de De Bono relativamente ao pensamento lateral são:

  1. Redefinição da Criatividade: O pensamento lateral desafia a noção de que a criatividade é um talento inato. De Bono argumenta que a criatividade pode ser ensinada e aprendida como uma habilidade, tal como a matemática ou a leitura.

  2. Pensamento Não-linear: Enquanto o pensamento vertical é sequencial e lógico, o pensamento lateral é não-linear e exploratório. Encoraja a pensar "fora da caixa" e a considerar múltiplas perspectivas.

  3. Uso de Técnicas Específicas: De Bono desenvolveu várias técnicas para facilitar o pensamento lateral, como a técnica dos "Seis Chapéus do Pensamento". Cada "chapéu" representa uma direção diferente do pensamento, permitindo que os indivíduos ou grupos explorem uma questão de diferentes ângulos.

  4. Resolução Criativa de Problemas: O pensamento lateral pode ser usado para resolver problemas de formas inovadoras. Invés de investir mais tempo e dinheiro na resolução de um problema - resolução proveniente de um pensamento sequencial, abordar o problema por um prisma totalmente diferente poderá revelar soluções alternativas, mais simples e eficazes.

  5. Importância da Provocação: De Bono destaca a importância das provocações no pensamento lateral. Uma provocação é uma declaração ou ideia que interrompe o pensamento convencional e abre caminho para novas ideias.

  6. Desafiar Pressupostos: Uma parte fundamental do pensamento lateral é questionar e desafiar pressupostos e convenções previamente estabelecidos. Invés de aceitar o que é a norma, o pensamento lateral encoraja a rever, questionar e redefinir o que é tido por certo e adquirido.

  7. Aleatoriedade: De Bono também sugere a introdução de aleatoriedade no processo de pensamento para gerar ideias novas. Ao cruzar e misturar conceitos o pensamento segue um caminho menos rígido e pré-formatado e permite-se a fazer novas relações e associações que poderão levar a resultados surpreendentes.

Seguindo o seu processo dos 6 Chapéus, possível de ser executado por uma ou mais pessoas, cada chapéu é representativo de um papel com responsabilidades distintas, a ser usado ao longo das diversas sessões criativas e assim ajudar a despertar, explorar e expandir novas ideias que se poderão tornar na próxima grande inovação.

Em resumo, Edward De Bono apresenta um modelo que desafia as empresas a usarem os meios que têm ao seu dispor para inovar através de uma técnica de pensamento criativo, puxando os limites do pensamento, imaginação e criatividade.

Através desta metodologia, De Bono acreditava que era possível seguir um conjunto de processos para estimular a criatividade das equipas e que qualquer pessoa seria capaz de desenvolver a habilidade do pensamento lateral para a resolução criativa e eficaz na resolução de problemas.

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